“A formação acadêmica é fundamental”, afirmou o técnico em entrevista
No dia 01 de setembro foi comemorado o Dia do Profissional de Educação Física. E como parte fundamental no contexto do futebol, o treinador do Fortaleza, Paulo Autuori, falou sobre a importância da formação acadêmica para quem pretende trabalhar como treinador de futebol.
Em entrevista concedida ao portal Lance! o técnico destacou que a graduação em Educação Física contribui para ampliar a compreensão sobre diferentes áreas envolvidas no trabalho de uma comissão técnica.
Formado em Educação Física pela Universidade Castelo Branco, Autuori também possui formação em Administração Esportiva pela PUC-RJ e curso para treinadores de futebol pela UERJ. Segundo ele, esse conhecimento é importante principalmente para facilitar a integração entre o treinador e os demais profissionais da comissão.
Foto: Vinicius Palheta/FEC
Para o comandante, conhecer o trabalho desenvolvido pelo preparador físico, por exemplo, permite ao treinador compreender melhor o processo de preparação dos jogadores.
“Para aqueles que optam pelo futebol, você tem uma base muito interessante de matérias que vão te dar a oportunidade de, ao assumir como treinador, entender bem o trabalho do seu preparador físico”, afirmou.
Formação vai além do campo
Autuori também destacou que a função de treinador não se limita à preparação técnica e tática de uma equipe. O profissional precisa saber trabalhar com diferentes perfis e administrar um grupo de jogadores.
Na avaliação do técnico, a formação contribui para que o treinador tenha ferramentas para lidar com essas situações e compreender que seu trabalho envolve também aspectos humanos.
“A formação acadêmica é fundamental. Saber lidar com um grupo de pessoas, entender que você tem uma tarefa importante que não tem a ver só com o treino, com preparar o jogo”, explicou.
Foto: Leonardo Moreira/FEC
O treinador ainda chamou atenção para a necessidade de respeitar as etapas de desenvolvimento dos jogadores. Para ele, a pressão existente no futebol muitas vezes faz com que processos importantes sejam antecipados.
“Você tem que criar um desenvolvimento pedagógico do menos para mais. E o futebol, às vezes, pela exigência, faz você atropelar etapas”, afirmou.
Experiência como jogador não é obrigatória
Outro ponto abordado por Autuori foi a discussão sobre a necessidade de o treinador ter sido jogador profissional. Para ele, a experiência dentro de campo pode ser importante, mas não deve ser tratada como uma condição obrigatória para exercer a função.
O técnico citou a existência de profissionais que construíram carreiras de sucesso sem terem atuado como jogadores profissionais.
“Temos vários exemplos aí que podem cortar qualquer narrativa contrária de que tem que ter sido ex-jogador”, disse.
Autuori considera que diferentes caminhos podem levar à carreira de treinador. A combinação entre experiência prática, formação acadêmica e preparação específica para a função, segundo ele, representa um cenário ideal.
“Se tiver praticado, melhor ainda, é o mundo ideal: quem foi praticante, quem se formou em educação física e quem tira o curso de treinador de futebol”, declarou.
Paulo Autuori nos tempos de Sporting Cristal-PER – Foto: Divulgação
Carreira internacional
Com quase quatro décadas de carreira, Paulo Autuori acumula passagens por clubes e seleções de diferentes países. O treinador trabalhou no Brasil, Portugal, Japão, Catar, Bulgária, Colômbia e Peru, além de ter comandado as seleções peruana e catari.
Entre os principais títulos de sua carreira estão o Campeonato Brasileiro de 1995, pelo Botafogo, a Libertadores de 1997, pelo Cruzeiro, e a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005, pelo São Paulo.
Antes de retornar ao futebol brasileiro, Autuori comandou o Sporting Cristal, do Peru, por um ano e três meses. Em julho de 2026, foi anunciado pelo Fortaleza.
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